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“PROJETO TARTARUGAS DA AMAZÔNIA: Conservando para o Futuro”

Preocupação e respeito à natureza.

O Entre as principais fontes de proteínas consumidas na Amazônia, os quelônios foram e continuam sendo muito utilizados na região, desde a época do império português. Das 16 espécies existentes na Amazônia Brasileira, o gênero Podocnemis é o mais ameaçado pelo consumo e interesse econômico. Apesar da existência de inúmeros projetos em conservação, esforços dos órgãos fiscais e implementação de criadouros legalizados de quelônios, os problemas ainda não cessaram.

Nos últimos 20 anos, uma das maiores autoridades em quelônios do mundo, o Dr. Richard Carl Vogt, mudou-se para o Amazonas com o objetivo estudar a problemática dos quelônios na região. O Zoólogo juntamente com outros pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) fundou no ano de 2002, a Associação de Ictiologos e Herpetologos da Amazônia (AIHA), uma associação civil, sem fins lucrativos, cuja finalidade básica sempre promover o estudo da Ictiologia e Herpetologia na Amazônia, assim como a interação cultural e científica entre os seus membros e a comunidade cientifica em geral, visando à conservação da natureza, que desde sua criação, vem atuando na organização de eventos em Manaus como o Joint Meeting of Icthyologists and Herpetologists (26 de junho a 2 de julho de 2003), 6th World Congress of Herpetology (17-22 de agosto de 2008). XIX Encontro Brasileiro de Ictiologia (30 de janeiro a 04 de fevereiro de 2010), promovendo campanhas destinadas à preservação e à pesquisa de peixes e quelônios na Amazônia.

Após muitos anos de pesquisa, o Dr. Ricahrd Vogt e seus alunos analisaram que desde 1967, ano em que foi criada pelo Governo Federal a lei 5.197 que protege a fauna brasileira, e proíbe a caça de espécies silvestres no Brasil, não foi suficiente para extinguir a caça predatória de quelônios. E embora, outras estratégias vêm sendo adotadas para conservação deste grupo como, a proteção e o manejo das praias de desova, e a implantação de criadouros legalizados para desestimular o comércio ilegal nos grandes centros urbanos, por meio da oferta autorizada de quelônios e seus subprodutos, resultados satisfatórios não foram observados. Concluiu-se que a grande extensão territorial da Amazônia brasileira dificulta a identificação e proteção das áreas críticas à reprodução destas espécies e o baixo
número de técnicos para fiscalizar tamanha região é outro problema junto há falta de ações e campanhas de atividades de educação ambiental, que envolvam tanto as populações tradicionais quanto a população dos grandes centros urbanos,os principais responsáveis pelo consumo da carne de tartaruga. Por isso, concluiu-se que a integração de estudos científicos direcionados com educação ambiental seria necessário e imprescindível, já que estas linhas de atuação deveriam ser desenvolvidas em conjunto para obter resultados mais concretos e efetivos, uma vez que se complementam. A partir daí, Richard e seu grupo de alunos biólogos pesquisadores viram a necessidade de criar um projeto voltado especificamente para a conservação de quelônios de água doce em na região, com a missão de despertar uma consciência frente às comunidades, principalmente quanto ao consumo e comércio ilegal.

Foi observado também que nos centros urbanos as estratégias para conservação de quelônios, estão relacionadas com trabalhos de promoção da conscientização e sensibilização ambiental, onde seria necessário atuar para modificar comportamentos, valores e hábitos sociais. Para isso, Os pesquisadores também observaram que seria de vital importância a criação de um centro de educação e estudos voltados para a conservação das tartarugas da Amazônia em Manaus, com a finalidade de divulgar a problemática e a importância deste grupo, apresentando alternativas para o consumo legal da carne e dos subprodutos destes animais. E propuseram também a criação do Centro de Estudos dos Quelônios da Amazônia - CEQUA que, além de qualificar jovens para atuarem como monitores ambientais e multiplicadores do conhecimento nas diferentes instituições de ensino na cidade de Manaus também vai funcionar como centro de pesquisa científica voltada aos animais mantidos em cativeiro e na natureza.

O grupo de cientistas observaram que sozinhos seria impossível desenvolver tamanho projeto, e apartir daí, a AIHA, através de uma parceria estratégica com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) , Associação Amigos do Peixe-Boi (AMPA) , Universidade Federal do Amazonas (UFAM) , Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), criou o projeto chamado: “Projeto Tartarugas da Amazônia: Conservando para o Futuro” com o objetivo de ampliar ainda mais os estudos científicos desenvolvidos com  cinco principais espécies: Podocnemis expansa (Tartaruga-da-Amazonia), Podocnemis unifilis (Tracajá), Podocnemis erythrocephala (Irapuca), Podocnemis sextuberculata (Pitiú) e o Peltocephalus dumerilianus (Cabeçudo), criando programas de educação ambiental com abordagens dinâmicas, desenvolvendo manejos participativos, com o compromisso de contribuir para a conservação ambiental na Amazônia, principalmente na cidade de Manaus e nas comunidades tradicionais da REBIO Trombetas.

Com o “Projeto Tartarugas da Amazônia: Conservando para o Futuro” a AIHA participou da quarta edição da Seleção Pública de Projetos oferecida pela Petrobrás através do Programa Petrobras Ambiental e foi contemplada no ano de 2011 para desenvolver o tão sonhado projeto. Um sonho que parecia tão distante, agora se tornou realidade e até o final de 2012 um Centro de Estudos de Quelônios da Amazônia – CEQUA será construído na cidade de Manaus, tornando-se o pioneiro em toda a Amazônia.

O CEQUA surge como um espaço com atuação em quatro áreas: Educação Ambiental, Comunicação, Visitação & Aquário e Pesquisa. Ele será construído no INPA, na área do Bosque da Ciência, um local já consagrado na Amazônia dentro do roteiro de turismo Científico-Ambiental na zona urbana de Manaus, usufruindo de infraestrutura de visitação oferecida pelo Bosque da Ciência, com sua sede próxima de um lago artificial que já abriga várias espécies de tartarugas da Amazônia. Com um espaço aberto ao publico, o Centro vai contar com exposições de tartarugas amazônicas vivas em ambientes de aquário com informações sobre a conservação, ecologia e biologia das espécies.

De forma geral, uma das principais vertentes do “Projeto Tartarugas da Amazônia: Conservando para o Futuro” é gerar informações e sensibilizar a população sobre a problemática dos quelônios, acreditando que estas iniciativas possivelmente tornarão o consumo mais consciente num dos principais centros de comércio ilegal do Norte. Através de dados concretos de monitoramento de espécies adultas e praias de desova, o projeto mostra também para as comunidades locais, como o consumo desenfreado está afetando o status das populações locais de quelônios, mostrando alternativas de subsistência como forma de expandir o interesse coletivo em respeito à natureza.